Meta já para dezembro: escrever pelo menos um post por dia ou no máximo a cada dois dias no meu querido Araciderci. Coitado. Esqueci logo deste blog que chegou bem antes do Facebook, do Twitter, do meu hotmail e da minha casa e até da minha caçula. Voltei para ficar, porque aqui é meu lugar mais tranquilo, onde há mais tempo e mais que 140 caracteres. Aqui dá para contar histórias com começo, meio e fim, como um episódio de House.
Dá para contar que estou ficando na neura com o fato de que minha pequena primogênita vai para a 5ª série, que eu ainda me lembro tão bem. Folheando os livros dela do ano que vem, ainda com aquele cheiro de novo, me lembrei da mitologia grega, das rochas magmáticas, do ciclo da esquistossomose. Me lembrei que sempre fui uma CDF iludida e feliz, que quando ia para Maringá visitar o pai ia dando nomes aos relevos e rochas do caminho. O mais lamentável é que continuo assim.
Este blog está ficando meio deprê. Mas vamos lá. Amanhã, terminam as minhas férias mais longas em 10 anos. Claro que trabalhei, mas em casa. Em vez das duas semanas, foram três para pegar fôlego para enfrentar a eleição. Foram dias incríveis. Nos acabamos no parque do Beto Carrero (sim sou absolutamente louca por parques de diversões), nadamos em piscinas geladas, brinquei de Barbie, fui ao cinema ver Toy Story, ver Eclipse. Andamos pelos parques.
Agora é voltar ao trabalho em pleno domingo com aquela saudade aliada à culpa que faz parte do que eu sou. E com mais disposição que nunca para aproveitar cada minuto que tenho com minha família. Acho que vou aproveitar a ideia da Ronise e encerrar a folga com um belo piquenique nem que seja em casa.
Ontem, minha caçula fez cinco anos. Tão pouco tempo de vida e tanta coisa aprendeu e ensinou. Ainda na barriga, enfrentou um mioma, os níveis malucos de glicose de uma mãe grávida diabética, um parto antes da hora. Mais tarde, Betina me ensinou a ser mais paciente, que a força nasce com a gente, que bater o pé de vez em quando pelo o que acreditamos é bom. Também mostrou que Michael Jackson ainda vive, me lembrou que dançar é muito bom, que morango é mais gostoso do que eu pensava. Me fez comer carambola, enquanto eu a fiz comer feijão. Também me mostra que todo mundo precisa de um chamego. E assim seguimos nossa maravilhosa jornada juntas. Agradeço cada dia ao lado dela. Meu amor, minha vida.
A felicidade, ou realização, é algo mutante. Ela muda conforme a época da nossa vida. Quando crianças, uma bala ou uma boneca já nos deixa feliz. Adolescente, um CD novo, uma revista, uma fita de videocassete, era suficiente. Mas confesso que nunca imaginei que uma faxina na área de serviço ou um produto ultramegalimpante me faria feliz ainda que por alguns minutos. Também nunca previ que a minha maior alegria seria olhar minhas pequenas em ação, seja na escola, brincando e até brigando. Olho para trás e não sei direito que com cheguei nesta felicidade tão mãe", tão "comum", tâo "careta", mas não mudaria um só passo deste caminho, porque é assim que sou feliz.
Li um texto na revista Crescer sobre a mania de os pais criarem expectativas a respeito dos filhos, de esperar que eles realizem os nossos sonhos frustrados. No mesmo dia, o assunto era pauta do programa Saia Justa. Daí me toquei que não é preciso esperar um filho crescer para dar a ele a tal liberdade. Podemos mostrar o quanto Elis Regina, Bjork, Beatles e Radiohead são incríveis, mas se eles quiserem mesmo ouvir o Jonas Brothers do momento têm esse direito, assim como podem gostar de cor-de-rosa e do cabelo longo e não channel. É o caminho para que mais tarde nós, pais, tenhamos a maturidade para deixar que nossos filhos escolham sua profissão, seu par, sua casa, seu carro e seus amigos.
Férias em casa é o que há de bom. Tempo para curtir cada canto, fazer tudo ou não fazer nada. Sem correrias, sem afobações, sem horário. Andar de bicicleta, pular amarelinha, passar o dia na piscina, ouvir música, ver televisão sem culpa. E o surpreendente é que todo mundo adorou. Teve até piscina chuva. Descansar é isso e não enfrentar fila nas estradas, atrasos de avião. Pena que foram só duas semanas.
Incrível a sensação de boiar na piscina, ver os pássaros (muitos pássaros) voando sob o céu cinzento e na "vitrola", Eydie Gourme e Trio Los Panchos. É nessas horas que você, mesmo que por alguns minutos, não lembra se é adulto, velho ou criança.
Estou em tratamento para amenizar meu vício em roupas pretas, que me persegue desde a faculdade. Consegui comprar um vestido vermelho. E usar. É um tratamento lento e gradual. Obviamente que a meia e o sapato eram pretos. Me deu o estalo depois de rever vídeos antigos. Em absolutamente todos, com as filhas aindas bebês, estava de preto. Adoro a cor, ou ausência ela, sei lá, e continuo a achar que ela é imbatível no quesito classe, mas é bom variar, ou melhor tentar variar.
Volto ao Araciderci seis meses depois. Que desnaturada! O tempo, aquele ingrato que foge da gente, não me deixou mais dar as caras. Como agora sigo com o Figuras e Figurinos, no site Bem Paraná, com dicas de moda, internet e afins, vou usar o Araci (apelido carinhoso) para devaneios mais pessoais, histórias e causos, principalmente aqueles que não cabem nos 140 caracteres do Twitter.
Esses seis meses que passei ausente foram de mudanças radicais. Estou em um período de transição ainda da mulher que nasceu e cresceu em apartamento para a dona de "casa" literalmente. Ainda não durmo pesado por conta dos barulhos estranhos da noite. E mesmo depois de enfrentar os pincéis para pintar os quartos, um morcego, algumas dezenas de aranhas de todos os tipos, besouros barulhentos, os homens do telhado, o homem da grade, o pedreiro careiro, a fuga das diaristas, os vazamentos dapiscina, um incidente (diria grave) elétrico, alguns tombos na escada, não me arrependo da escolha que fiz.
A vida é isso aí. Mudar para aprender. E se para curtir a liberdade é preciso batalhas, que venha o homem que vai arrumar a piscina, novos tipos de morcegos e mais 20 anos de prestações da Caixa.

Até o Papai Noel nos visitou.
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